domingo, 8 de março de 2009

Trilha Sonora



Não tem como não lembrar de você ouvindo essa música. Na verdade, não tem como não lembrar de você ouvindo outras milhares de músicas, que antes eu achava tão clichês. Às vezes acho que invento motivos para pensar em você, mas ao mesmo tempo isso acontece de forma tão natural que descarto essa possibilidade.

Penso, relembro, crio e ensaio cenas que sei que nunca vamos viver. Por isso me contento com o mundo inventado em que essa música se repete a cada ato, mesmo que quando eu te toque, não te sinta como já senti.

Tenho ouvido sobre sua nova vida, da qual eu mal consigo uma brecha na janela para assistir. Me contento com notícias ao longe misturadas com a agonia de uma exagerada que se preocupa demais.

Sei que sou sentimental ao extremo, temperamental, e essas milhares de qualidades que definem quem não consegue controlar o mais simples dos sentimentos dentro de si. Mas hoje, hoje choro pelo futuro que não vivi e pela certeza de que daria certo. Você sabia, você sabe, você sente. Ou sentiu, não sei. E também não espero que me diga.

Por isso a música se repete, me persegue. Porque ninguém se deu ao trabalho de dar o stop. Você por preguiça e eu por medo, ou até mesmo esperança. Às vezes me canso da música e tento mudar o disco, mas não adianta pois ela continua passando como trilha sonora a cada pensamento, a cada gesto que alguém faz igual ao seu, a cada mania sua que se tornou minha, a cada momento em que me pego rindo das coisas sem graça que você faz ter graça, a cada vez que falo com você e já sei exatamente o que vai dizer ou fazer.

Já escondi há muito tempo esse medo de desligar o som, apagar a luz e dá adeus a essa insegurança, mas a adrenalina do incerto me prende a essa história inacabada que daria certo, mas não deu.

Não vou dizer que vou esquecer, e muito menos que vou insistir, até porque se tivessemos levado adiante, hoje talvez eu não sentisse esse frio na barriga a cada vez que você fala comigo. Mas vou seguir adiante, mesmo com o eco da música em meu coração. Quem sabe um dia, com o costume, ela caia no esquecimento e se torne apenas a trilha sonora de momentos distantes que lembrarei com saudade, mas que com certeza nunca esquecerei cada letra que a forma.

Ao som de Stolen - Dashboard Confessional.



Stéphanie Badaui.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Desejo




Desejo que você tenha todo o tempo do mundo
Para perceber que todo esse tempo pode não ser o bastante
Sendo assim desejo que você viva intensamente
Descobrindo que a vida é feita de momentos,
Sejam esses prazerosos ou não.

Que nos dias de tristeza quando o coração apertar
Tenha alguém do seu lado para fazê-lo voltar a pulsar
Dando aquele abraço forte onde por horas ninguém diz nada
Para precisar entender uma angustia,

E que esse medo do mundo não passe de um dia,
Pois minha maior felicidade é ver teus olhos transbordando alegria
Quero que saiba que sou sua maior admiradora.

Desejo que por mais trezentas décadas você seja a minha melhor companhia,
Desejo lhe ver amando e tendo filhos, faço questão de ser madrinha do primeiro.
Desejo ter aqueles momentos de nostalgia quando estivermos bem velhinhos
Relembrando aquele mendigo com carinha saliente tentando nos seduzir, as brincadeiras de policia e ladrão, eu nunca, guerra de ovo pelo condomínio, os carnavais e as noites onde todos se reuniam no parquinho para beber...
Aqueles dias pareciam que nunca acabariam.

Que possamos ter a proeza de amadurecer mantendo sempre um espírito jovem com força para recomeçar do zero se for preciso, tendo sempre um ao outro.
Desejo nunca falhar com você e ser sempre útil nos momentos de dor, alegria e tédio.
Mantendo essa sincronia que a nossa amizade tem.
Desejo que mesmo diante de tantas incertezas na vida, você tenha a certeza de que o meu amor de irmã por você não tem fim.


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Dedicado ao melhor amigo que alguém pode ter =]
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Rachel Oliveira.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Amor de verão

Me pego pensando em você. Tudo passa como um filme em minha mente. Relembro palavras, simples gestos, me perco em pensamentos. Tento acreditar que a saudade de te sentir perto de mim é apenas passageira, que é a falta do que fez parte da minha vida só alguns dias, e caírão no esquecimento.
A primeira vista uma imagem se forma, depois tudo se transforma, mas o desejo continua o mesmo. Olhares quase chamando, pronunciando o que a boca não dizia, pareciam não ser retribuídos. Nessas horas como queria ler pensamentos, saber decifrar movimentos que talvez pudessem me dar alguma esperança.
Enfim o silêncio agoniante foi quebrado. Algumas palavras trocadas, perguntas vagas, assuntos banais. A noite chega e a barreira se forma, o corpo pede, mas a cabeça não deixa. A tentação a centímetros de distância, provocando, quase sussurando ao pé do ouvido que meu desejo não era segredo.
Sua persistência procura apenas uma brecha. Você cada vez mais perto, vai me convencendo, me encantando. E eu me deixando levar, fingia não me importar. Quando parecia desistir, a ansiedade tomava conta junto ao receio de não ter mais uma chance. Mas algo não nos deixava ficar longe, e lá estávamos juntos mais uma vez.
De forma inusitada tudo aconteceu. O que parecia um jogo, se tornou algo além do que eu podia entender no momento. Finalmente o que a mente imaginava e há dias esperava, se tornou real de forma inexplicável. Seus lábios nos meus, como era bom senti-lo daquela forma. Queria poder esquecer o proibido, sentir por completo, tirar de mim cada gota de suor, que o calor do seu corpo fazia sair do meu.
Seu jeito bobo, só de lembrar traz meu sorriso. Queria poder sentir suas mãos percorrendo meu corpo, me fazendo arrepiar como só você soube. Ouvir sua respiração mais uma vez, sua voz que não quero esquecer. Aquele que surpreendeu, que me deixou ver seu coração, que cuidou de mim, e não desistiu.
E o verde sempre presente, o cheiro da chuva, o ar que limpava nossos pulmões, o céu que cismava mudar de cor, fizeram o cenário perfeito para a nossa história. Agora são apenas lembranças, que recordo todos os dias. Seguimos nossos caminhos, e a distância não impede que ainda te sinta presente. Afinal, foi diferente, de repente, como todo amor de verão que vem como chuva forte e só nos deixa o arco íris para adimirar.


Stéphanie Badaui.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Doce amargo amor

É impressionante como uma simples pessoa, por mais normal e comum que seja, pode ser muitas em uma só. Muitos podem não perceber, mas os poucos que percebem podem se machucar. Estamos em mudança contínua, como a chuva que as vezes vem pra mudar pequenos grãos de areia de lugar. Pequenos fatos que aparentam não ter importância, brigas que são esquecidas com abraços e palavras vagas, carinhos que nunca mais vamos sentir...
Descobrir. E o que já se descobriu? O que já sentimos com tanta intensidade e agora não temos mais a mesma força pra senti-lo. Olhares que se perdem, toques que parecem tão longe, ecos e sussuros que sempre vão nos acompanhar.
O passado que um dia amei, hoje apenas lembrança. Presente que aumeja o futuro, suplica mudanças, pois o corpo já não acompanha a alma ultimamente tão distante. E os pequenos detalhes, o cheiro em meu quarto, a lágrima que quer vir, mas que a frieza do meu olhar congela antes que ela possa te encontrar.
Doce e amargo amor, que vicia, nos torna dependente, que destroi corações. Mas hoje eu posso dizer que venci o amor, e que ele não me tem mais em suas mãos, pois cansei que ele fizesse o que bem entendesse comigo.
Agora estou vacinada contra essa doença chamada amor, mas sei que no futuro, próximo ou não, ela sofrerá mutações e irá enganar meu corpo novamente. Conquistará minha alma, tirará minhas forças, me transformará criança, me fará regredir por únicos momentos de plena felicidade e magia.
E quando isso acontecer aquela maldita dúvida vai vir me pertubar... "Será que vale a pena se arriscar?" E com um sorriso no rosto e a saudade nos olhos eu poderei dizer sem medo: "Um dia valeu..."

Stéphanie Badaui.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Hedonismo




Quero um prazer imediato.
Daqueles bem ordinários,
Aparentemente inofensivo
Mas cheio de devassidão.
Livre das regras de um amor perfeito
E que agrade meus sentidos.
Um prazer delicado, ilícito e amargo.
Rachel Oliveira

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Quimera




Bem deixe que eu mesma me apresente. Estou aqui há muitos e muitos anos, mas as minhas diversas formas deixam qualquer homem confuso. Já causei muita desordem no mundo, pelo fato das pessoas não saberem como lidar comigo.

Meu trabalho consiste em fazer com que o ser humano ambicione cada vez mais e mais os prazeres da vida. Minha pele transpira o pecado e o meu toque delicado cheio de volúpia, confunde os sentidos. Posso levar você a cometer o que chamam de luxúria, não procure mostrar resistência.

A vaidade me persegue, e para estar comigo é preciso ter prudência para com a aparência.
Não existe apego ao dinheiro de forma exagerada, existe bom gosto e conforto o termo avareza é uma tolice. A natureza do meu jogo consiste em uma competição onde o orgulho é fundamental e a ira inevitável. Se o homem tornou-se antropofágico a culpa não é minha.

Posso lhe mostrar como aproveitar bem a vida, e degustar as coisas mais deliciosas sem que fique com vergonha de repetir e depois ficar horas deitado com aquela sensação boa de cansaço mesmo que não tenha feito nada o dia todo.

Ao mesmo tempo em que vejo tudo o que deseja, sou o que precisa.
Não é difícil me encontrar, conhece os sete pecados?
Eu sou o oitavo.
Rachel Oliveira

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Sono


Duas da madrugada, você ainda não chegou. Olho as paredes como que assustada com as sombras que sempre estiveram ali e eu nunca as notei. Encho uma taça, na esperança de espantar pensamentos distantes sem muita força. O vinho barato desce arranhando a garganta e aquece todo meu corpo frio que agora apenas está em busca de almas quentes. Almas que um dia mandei embora. Mas esse choque de temperaturas os distancia, como se houvesse uma barreira separando, impedindo a fusão de sentimentos, o equilíbrio.

A minha última chance eu desperdicei, não me arrisquei por que o frio já estava se aproximando, e a alma daquele pobre coitado, sempre tão quente, me chamando com os olhos em chamas, com palavras que para mim pareciam faíscas que machucavam ao serem pronunciadas. Eu o mandei embora, tentei me proteger e agora estou congelando sentimentos que um dia foram mais vivos que o meu próprio ser.

Os congelo para um dia poder usá-los com alguém que esteja tão acostumado com o frio quanto eu, que não se importe de viver com um corpo que não sente um simples toque, que não tenha apenas uma lágrima para derramar, nem que seja de alegria. Vou guardando-os dentro de mim, e ficando cada vez mais fria.

E você não vem. É sempre assim, sempre me faz esperar. E eu sem companhia apenas espero você chegar e trazer seu mundo de ilusões, trazer aquela multidão de confusões quando consigo me livrar de você. Já bêbada de pensamentos, o chamo, o grito, suplico. Vem sono, e me ajude a liberar tristezas e dores, em sonhos e pesadelos. Ajude-me a me livrar dessas sombras, desse frio, desse gosto...

Aquele gosto, sim ainda o sinto. O gosto amargo de decepções esquecidas, de palavras perdidas que não saem da minha boca. As sombras que vão e voltam, penetram paredes, ultrapassam portas, que só servem pra lembrar o passado, e o meu futuro tem sido esquece-lo.

Stéphanie Badaui.

quinta-feira, 3 de julho de 2008


O ser humano mesmo não tendo certeza de suas opiniões
Diz por a mão no fogo por elas, e se deixa queimar para ter de mudá-las
Mas nem sempre estas mudam de fato e assim passam a disseminar feridas.
Então me dê motivos para acreditar que a humanidade caminha em direção a evolução.
Motivos para poder dizer que o homem de hoje é de fato diferente ao de 1500
Motivos para acreditar em um Deus que deseja ser louvado o tempo todo
Que ninguém nunca proferiu palavras de morte a um homem que se opôs a sua crença.
Que o presidente de um país considerado primeiro mundo, não é o maior assassino dos tempos.
Que a fome é uma ilusão, que a esperança em dias melhores não é em vão.
Motivos pra acreditar em um Deus que seja bom.
E que o homem não se animalizou sob condições sub-humanas de sobrevivência.

Rachel Oliveira

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Lei da selva


Não me venha com discurssos anti-capitalistas, não seja hipócrita. Todos querem liberdade, igualdade, e quando as alcançam não parece mais suficiente. Ideologias que tentamos seguir e os atos desmentem. Capitalismo, socialismo, anarquismo..? Que nada! É a lei da selva camarada, e aqui vence o melhor.



Stéphanie Badaui.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Nem que fosse pela última vez



A tensão estava estabelecida e o silêncio sepulcral foi rompido quando Josephine espalmou as duas mãos na parede com força e então voltou-se para ele, dilatando as narinas como sempre fazia ao exasperar-se. Ele riu - em parte pela felicidade de rever aquele familiar semblante irado após uma longa campanha que o afastara de casa, e em parte realmente achando graça do ciúme dela.

- Minha amada, não faça drama! Não há motivo para tanto. - e ele abriu os braços envolvendo-a num abraço do qual ela tentava se soltar.

-Me solta! - vociferou ela, em um tom de autoridade que nem o próprio Napoleão conseguiria fazer para seus soldados. - Volte para tuas amantes, general! Maldita a hora em que te dei o lugar do falecido em minha vida!

-Não falemos dos mortos! - repreendeu-a, conservando-a presa. Sentindo no peito uma pontada de ciúmes repentina.

Ironia fatídica! Josephine temia a concorrência das vivas, e Napoleão enciumado com os mortos.

Ela se debateu, tentando livrar-se dos braços do jovem marido:

-Ele parece mais presente que você! - alfinetou, vendo que o afetara. E olhando-o com desprezo, finalmente saiu de seu abraço. - Estás sempre em outros lugares! Outras camas!

Napoleão não pôde mais conter o riso e sorriu diante da irritação dela:

- E você costumava queixar-se do meu ciúme! Olha só como tudo se inverteu!

Ela revirou os olhos, bufando alto:

- Vou sair desta casa e levar meus filhos! - declarou ela, dando as costas ao rapaz.

-Você não vai me deixar. - balbuciou Napoleão, convicto. - Não tem nem pra onde ir.

Josephine olhou-o por cima do próprio ombro, agora não mais com o rosto vermelho de raiva, mas sim com uma incômoda indiferença:

- Ainda tenho as propriedades do falecido. - falou somente, com uma calma assustadora. Nessas horas lhe convinha ser viúva!

Napoleão não se alterou.

-Você não vai me deixar. - repetiu somente, sem tirar os olhos dela. - Nós dois sabemos que não vai.

Josephine apenas suspirou, um suspiro quase imperceptível e retirou-se em silêncio, de uma forma teimosa, não submissa. Ele tinha razão, não o deixaria(...)



Nathalia Alves

(Me batam, me odeiem mas postei o diálogo Napoleão/Josephine que eu fiz durante a aula de...aula de alguma coisa(!) )